Autora:
Maria Valnice da Silva
Constitui-se
atualmente grande desafio para os educadores acompanharem a evolução das
diferentes tecnologias e, consequentemente, compreenderem o universo dos jovens
contemporâneos que, desde cedo têm acesso ao mundo virtual através dos videogames, internet, celulares e
computadores entre outras mídias.
Jovens com comportamentos e
características específicas que desafiam o mundo dos adultos, com capacidades e
habilidades para desempenharem diversas tarefas ao mesmo tempo,
multitarefistas, já que, estudam, ouvem MP3, escrevem no Messenger, e assistem
televisão ao mesmo tempo, organizam-se
em comunidades virtuais como Facebook, Orkut e Twitter.
Diante
dessa universalização do conhecimento é importante que a escola repense seu
papel, no sentido de propiciar aos alunos o desenvolvimento de competências
para lidar com as informações, estabelecendo relações com o cotidiano, buscando novas compreensões, por
meio da produção de ideias e de ações criativas e colaborativas.
Sem dúvida nenhuma, o processo de
globalização e informatização que vivenciamos, exige de todos os educadores um
novo olhar para as questões educacionais, onde o foco está na aprendizagem e não
na transmissão do conteúdo.
Na
sociedade do conhecimento e da tecnologia, torna-se necessário repensar o papel
da escola, mais especificamente as
questões relacionadas ao ensino
e à aprendizagem.
O ensino organizado de forma fragmentada, que privilegia a memorização
de definições e fatos bem como as soluções padronizadas, não atende às
exigências deste
novo paradigma. (PRADO, 1996:134)
A
princípio, os professores ficaram desorientados com a chegada de tantas
informações tecnológicas trazidas pelos alunos para a sala de aula. Alguns, por
insegurança e pouca informação tecnológica, refutavam o uso do computador argumentando
que a máquina
substituiria o homem. Por outro lado, tornava-se necessário reconhecer a
grande revolução que estava acontecendo no processo de ensino aprendizagem por
meio do computador, e começar um amplo debate em torno de métodos e práticas
educacionais.
A preocupação dos educadores concentra-se
agora na busca do melhor aproveitamento do computador no processo ensino
aprendizagem, reconhecendo a existência de um descompasso entre a velocidade da
evolução das diferentes tecnologias e o ritmo de mudanças na escola. Portanto,
considera-se ultrapassada discussões entre os profissionais de ensino, nas
quais afirmavam o avanço tecnológico como responsável pela robotização dos
alunos, e por outro lado, o computador como substituto dos professores.
As
tecnologias de comunicação não substituem o professor, mas modificam algumas
das suas funções. A tarefa de passar informações pode ser deixada aos bancos de
dados, livros, vídeos, programas em CD. O professor se transforma agora no
estimulador da curiosidade do aluno por querer conhecer, por pesquisar, por
buscar a informação mais relevante. Num segundo momento, coordena o processo de
apresentação dos resultados pelos alunos. Depois, questiona alguns dos dados
apresentados, contextualiza os resultados, os adapta à realidade dos alunos,
questiona os dados apresentados. Transforma informação em conhecimento e
conhecimento em saber, em vida, em sabedoria, o conhecimento com ética. (MORAN,
1994:39)
As
escolas precisam modernizar seus currículos visando o desenvolvimento da
cidadania e a qualificação profissional. Trata-se aqui das tecnologias incorporadas à sala de
aula, ao currículo, escola, vida, sociedade e ao trabalho, tendo em vista a
construção de uma cidadania democrática, participativa e responsável.
São
inegáveis os benefícios constatados com a aplicação da informática na educação.
Os computadores podem auxiliar o aluno a executar e elaborar tarefas de acordo
com seu nível de interesse e desenvolvimento intelectual podem organizar e
metodizar o trabalho, gerando uma melhor qualidade de rendimento. Quanto aos
jogos e linguagens, ajudam no aprendizado de conceitos abstratos.
A
utilização de novas tecnologias educacionais na sala de aula vem sendo
apresentada pelo MEC como uma de suas prioridades, através do Programa Nacional
de Tecnologia Educacional (PROINFO), programa criado pela Portaria nº 522/MEC,
de 9 de abril de 1997, para promover o uso pedagógico de Tecnologias de
Informática e Comunicações (TICs) na rede pública de ensino fundamental e
médio, com o objetivo de promover o uso pedagógico da informática na rede
pública de educação básica, levando às escolas computadores, recursos digitais
e conteúdos educacionais. Por outro lado, estados, Distrito Federal e
municípios devem garantir a estrutura adequada para receber os laboratórios e
capacitar os educadores para uso das máquinas e tecnologias.
Diante deste
novo desafio, espera-se do docente novas posturas frente ao conhecimento e ao
processo cognitivo de aprendizagem de seus alunos. Assim, a palavra chave é a
integração entre tecnologias e currículo que se estabelece numa ótica de transformação
da escola e da sala de aula em um espaço de experiência, de ensino e de
aprendizagem ativa, de formação de cidadãos e de vivência democrática, ampliado
pela presença das tecnologias.
Enfim,
como afirma MORAN (1194:45) O re-encantamento, em fim, não reside
principalmente nas tecnologias cada vez mais sedutoras, mas em nós mesmos, na
capacidade em tornar-nos pessoas plenas, num mundo em grandes mudanças e que
nos solicita a um consumismo devorador e pernicioso. É maravilhoso crescer,
evoluir, comunicar-se plenamente com tantas tecnologias de apoio. É frustrante,
por outro lado, constatar que muitos só utilizam essas tecnologias nas suas
dimensões mais superficiais, alienantes ou autoritárias. O re-encantamento, em
grande parte, vai depender de nós.
Referencias
bibliográficas
PRADO,
M.E.B.B. & Freire,
F .M.P ., “Da repetição
à Recriação: uma Análise
da Formação do
Professor para uma
Informática na Educação”. In:
J.A. Valente (org) O Professor no Ambiente Logo:
Formação
e Atuação. Campinas, SP , NIED-Unicamp, pp. 134-160, 1996.
MORAN, José Manuel. Interferências dos
Meios de Comunicação no nosso Conhecimento. INTERCOM Revista
Brasileira de Comunicação. São Paulo, XVII (2):38-49, julho-dezembro 1994.
www.mec.gov.br
muito bom seu texto, adorei!!!
ResponderEliminarhttp://www.youtube.com/watch?v=KQ45r05mvSc
ResponderEliminarpara quem amou a Nêne como eu.....
Sim eu adorei também...
EliminarTem gente que é preparado mesmo. Antes de terminar a aula já postou o texto. Parabéns garota.
ResponderEliminarAdorei o conceito de re-encantamento, porém há que se acontecer em breve, pois se esse re...não ocorrer, a educação de nossos filhos e netos estará seriamente comprometida.
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