miércoles, 24 de julio de 2013

As TDs no contexto da gestão da educação pública no Brasil



As TDs no contexto da gestão da educação pública no Brasil
Carlos Eduardo Sanches
                Neste frequente exercício que estamos realizando esta semana não apenas do uso, mas principalmente da reflexão sobre a relação das tecnologias digitas com a prática pedagógica dos professores nas escolas públicas brasileira,  busquei compreender um pouco a a lógica adotada pelo Ministério da Educação para o tema. A primeira surpresa foi a escassez de pesquisas de TDs focadas em gestões de Redes e Sistemas de Ensino. Outro espanto foi a forma sistêmica e abreviada como a política pública da educação está organizada no Brasil.
                Um dos poucos artigos interessantes que encontrei (Barreto, 2003) traça uma contundente crítica à forma como o Ministério da Educação, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) instituiu uma área interna para dar conta da “revolução tecnológica”. Abordando equívocos a partir dos conceitos, uma vez que compreende a tecnologia como uma ferramenta que provoca o esvaziamento do trabalho docente,  o texto apresenta a compreensão reducionista do governo federal – naquele momento, quanto ao uso das TDs apenas para a educação à distância. Entre os objetivos da Secretaria de Educação à Distância criada pela Ministério da Educação estavam:
• trazer para a escola um enorme potencial
didático-pedagógico;
• ampliar oportunidades onde os recursos são escassos;
• familiarizar o cidadão com a tecnologia que está em seu cotidiano;
• dar respostas flexíveis e personalizadas para pessoas que exigem diversidade maior de tipos de educação, informação e treinamento;
• oferecer meios de atualizar rapidamente o conhecimento;
• estender os espaços educacionais; e
• motivar os profissionais e alunos para aprender em continuamente, em qualquer estágio de suas vidas.

            Mas esta compreensão no uso das TDs também esteve presente durante o início do governo Lula (2003-2010) e chegou a ser pensada como uma ferramenta para triplicar o número de matrículas no ensino superior. No referido artigo Barreto provoca desafiando o uso das tecnologias para muito além do acesso limitado à condição de consumidor, mas como políticas e práticas centradas na utilização e nas suas múltiplas possibilidades para os sujeitos.
            Depois de conhecer um pouco sobre o início da utilização das TDs na educação brasileira procurei saber um pouco da realidade atual. O Ministério da Educação não conta mais com uma área específica para tratar de tecnologia, mas insere o tema em todas as áreas. A Secretaria de Educação Básica, responsável pelo acompanhamento e instituição de programas voltados à educação infantil e os ensinos fundamental e médio bem como suas modalidades, focas uma série de programas para dotar a escolas de equipamentos e acesso à internet. Também articula a formação de professores para o uso das TDs em parceria com estados e municípios.
Pesquisei o tema “tecnologias digitais” no site do Ministério da Educação encontrei apenas um roll de programas e ações desenvolvidos e algumas discussões mais aprofundadas sobre o seu uso pedagógico.  Percebi que o governo federal procurou ouvir especialistas na área. Mas, na prática, as manifestações do ministro da Educação, Aloysio Mercadante, deixam claro que para o governo federal o importante é tornar a escola mais atraente e para isso a distribuição de equipamentos para alunos e professores está sendo estimulada. Não percebi direcionamento nas afirmações do ministro sobre um novo modelo de formação dos professores que altere a prática pedagógica atual. E fiquei preocupado com as manifestações que a tecnologia poderá salvar o ensino médio no Brasil que passa por uma grande crise.
Neste contexto, está cada vez mais claro que é preciso transformar os processos e as estruturas de gestão das Redes e Sistemas de Ensino a partir de uma perspectiva que considere o aluno como eixo central no processo. As políticas públicas devem contemplar um novo modelo de formação dos professores para evitar a imposição de um conjunto de travas para transformar sua realidade e prática (Sancho, 2008). Ainda, neste contexto, fica igualmente claro que é preciso assegurar uma formação em relação às TDs não apenas aos professores, mas principalmente aos gestores responsáveis pela construção e implementação de políticas públicas na área da educação.

Referências:
·         - Barreto, RG (2003) Revista Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29, n.2, p. 271-286, jul./dez. 2003
http://www.scielo.br/pdf/%0D/ep/v29n2/a06v29n2.pdf

·         - Sancho, JM (2008) De Tic a Tac – El difícil tránsito de una vocal, Universidad de Barcelona

·        -  Ministério da Educação do Brasil
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_jfilter&Itemid=164&params[search_relevance]=tecnologias%20digitais&params[search_method]=exact&params[tipobusca]=4

2 comentarios:

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  2. Nossa, consegui fazer uma viagem lendo seu texto, é muito ter uma visão macro, pois muitos docentes por ter apenas a micro, ou seja a reduzida, não compreendem a grandiosidade e a tamanha colaboração que pode dar a essa geração, com pequenas mudanças no seu cotidiano de sala de aula.

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