As TDs no contexto da gestão da educação pública no Brasil
Carlos Eduardo Sanches
Neste
frequente exercício que estamos realizando esta semana não apenas do uso, mas
principalmente da reflexão sobre a relação das tecnologias digitas com a
prática pedagógica dos professores nas escolas públicas brasileira, busquei compreender um pouco a a lógica
adotada pelo Ministério da Educação para o tema. A primeira surpresa foi a
escassez de pesquisas de TDs focadas em gestões de Redes e Sistemas de Ensino.
Outro espanto foi a forma sistêmica e abreviada como a política pública da
educação está organizada no Brasil.
Um
dos poucos artigos interessantes que encontrei (Barreto, 2003) traça uma
contundente crítica à forma como o Ministério da Educação, ainda no governo
Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) instituiu uma área interna para dar conta
da “revolução tecnológica”. Abordando equívocos a partir dos conceitos, uma vez
que compreende a tecnologia como uma ferramenta que provoca o esvaziamento do
trabalho docente, o texto apresenta a
compreensão reducionista do governo federal – naquele momento, quanto ao uso das
TDs apenas para a educação à distância. Entre os objetivos da Secretaria de
Educação à Distância
criada pela Ministério da Educação estavam:
“• trazer para a escola um enorme potencial
didático-pedagógico;
• ampliar oportunidades onde os recursos são escassos;
• familiarizar o cidadão com a tecnologia que está em seu cotidiano;
• dar respostas flexíveis e personalizadas para pessoas que exigem diversidade maior de tipos de educação, informação e treinamento;
• oferecer meios de atualizar rapidamente o conhecimento;
• estender os espaços educacionais; e
• motivar os profissionais e alunos para aprender em continuamente, em qualquer estágio de suas vidas”.
Mas esta compreensão no uso das TDs
também esteve presente durante o início do governo Lula (2003-2010) e chegou a
ser pensada como uma ferramenta para triplicar o número de matrículas no ensino
superior. No referido artigo Barreto provoca desafiando o uso das tecnologias “para muito além
do acesso limitado à condição de consumidor”, mas como “políticas e práticas
centradas na utilização e nas suas múltiplas possibilidades para os sujeitos”.
Depois de conhecer um
pouco sobre o início da utilização das TDs na educação brasileira procurei
saber um pouco da realidade atual. O Ministério da Educação não conta mais com
uma área específica para tratar de tecnologia, mas insere o tema em todas as
áreas. A Secretaria de Educação Básica, responsável pelo acompanhamento e
instituição de programas voltados à educação infantil e os ensinos fundamental
e médio bem como suas modalidades, focas uma série de programas para dotar a
escolas de equipamentos e acesso à internet. Também articula a formação de professores
para o uso das TDs em parceria com estados e municípios.
Pesquisei o tema “tecnologias digitais” no site do
Ministério da Educação encontrei apenas um roll
de programas e ações desenvolvidos e algumas discussões mais aprofundadas sobre
o seu uso pedagógico. Percebi que o
governo federal procurou ouvir especialistas na área. Mas, na prática, as
manifestações do ministro da Educação, Aloysio Mercadante, deixam claro que
para o governo federal o importante é tornar a escola mais atraente e para isso
a distribuição de equipamentos para alunos e professores está sendo estimulada.
Não percebi direcionamento nas afirmações do ministro sobre um novo modelo de
formação dos professores que altere a prática pedagógica atual. E fiquei
preocupado com as manifestações que a tecnologia poderá salvar o ensino médio
no Brasil que passa por uma grande crise.
Neste contexto, está cada vez mais claro que é
preciso transformar os processos e as estruturas de gestão das Redes e Sistemas
de Ensino a partir de uma perspectiva que considere o aluno como eixo central
no processo. As políticas públicas devem contemplar um novo modelo de formação
dos professores para evitar a imposição de um conjunto de travas para
transformar sua realidade e prática (Sancho, 2008). Ainda, neste contexto, fica
igualmente claro que é preciso assegurar uma formação em relação às TDs não
apenas aos professores, mas principalmente aos gestores responsáveis pela
construção e implementação de políticas públicas na área da educação.
Referências:
·
- Barreto, RG (2003) Revista Educação e Pesquisa,
São Paulo, v.29, n.2, p. 271-286, jul./dez. 2003
http://www.scielo.br/pdf/%0D/ep/v29n2/a06v29n2.pdf
·
- Sancho,
JM (2008) De Tic a Tac – El difícil tránsito de una vocal, Universidad de Barcelona
· -
Ministério
da Educação do Brasil
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_jfilter&Itemid=164¶ms[search_relevance]=tecnologias%20digitais¶ms[search_method]=exact¶ms[tipobusca]=4
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ResponderEliminarNossa, consegui fazer uma viagem lendo seu texto, é muito ter uma visão macro, pois muitos docentes por ter apenas a micro, ou seja a reduzida, não compreendem a grandiosidade e a tamanha colaboração que pode dar a essa geração, com pequenas mudanças no seu cotidiano de sala de aula.
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