jueves, 25 de julio de 2013

Marcos Conceituais da Educação a Distancia (EaD)

Marcos conceitual da Educação a Distância (EaD)
Mestranda: Maria Valnice da Silva
            Em uma sociedade globalizada a sala de aula não é o único local onde aprendemos. A existência de um espaço físico para que o processo de ensino aprendizagem ocorra deixou de ser um imperativo no mundo atual. A necessidade de ampliação do acesso a educação formal aliada a falta de tempo, limitações de ordem geográfica, o custo de se manter atualizado, entre outros fatores impulsionaram o crescimento da Educação a Distância no mundo e conseqüentemente no Brasil. Segundo Belloni (2008), a educação a distância surgiu como uma modalidade de educação capaz de atender às novas demandas educacionais decorrentes da mudança econômica mundial.A Educação a Distancia (EaD) pode ser entendida como:
       Um sistema tecnológico de comunicação bidirecional que pode ser massivo e que substitui a interação pessoal na sala entre professor e aluno como meio preferencial de ensino pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e o apoio de uma organização e tutoria que propiciam uma aprendizagem independente e flexível (GARCIA ARETO, 1995 apud PRETI, 1996, p.24).
       Esta definição conceitual de EaD nos permite identificar alguns elementos centrais dessa modalidade de educação: distância entre professor e aluno durante o processo ensino-aprendizagem, influência de uma organização educacional (ambiente virtual de aprendizagem e tutoria), uso de mídias e tecnologias, a interação e a interlocução entre os que estão envolvidos nesse processo, disponibilidade de comunicação nos dois sentidos, a possibilidade de se escolher onde, como e quando estudar.
       Para SCHLEMMER, a EaD consiste então, em um processo que enfatiza a construção e a  localização do conhecimento, de forma que qualquer pessoa, independente do tempo e do espaço,pode tornar-se agente de sua aprendizagem, devido ao uso de materiais diferenciados e meios de comunicação, que permitam a interatividade, a interação (síncrona ou assíncrona) e o trabalho colaborativo/cooperativo.
     Toda modalidade de educação presencial, semipresencial ou virtual, apresenta vantagens e desvantagens, o que deve determinar a opção por uma ou outra é a circunstância ou o objetivo de aprendizagem a que se destina. As crianças, devido as suas necessidades de desenvolvimento e socialização, não podem prescindir do contato físico, da interação, sendo para este público o ensino presencial mais adequado. Nos cursos de nível médio e superior, cujo alvo são jovens e adultos que já possuem experiências consolidadas de aprendizagem individual e pesquisa, o virtual, em decorrência de seus benefícios e vantagens, pode ser o mais indicado e adequado.
          O ensino a distância possui a capacidade de superar limitações de ordem geográfica, de recursos (redução na alocação de recursos financeiros, como despesa com passagens e diárias) e de democratização do saber, uma vez que pressupõe uma relação pedagógica diferente do ensino presencial porque não depende da presença física e simultânea dos atores educacionais para que o processo ensino aprendizagem ocorra.
        SCHLEMMER esclarece que diferentes tipos de organizações presentes na sociedade (governo, instituições educacionais, empresas, ONGs), tanto vinculadas ao ensino formal, quanto não formal, tem se utilizado da EaD como forma de ampliar o acesso a educação/formação/capacitação a um número maior de sujeitos, que se encontram dispersos no tempo e no espaço, buscando proporcionar à eles o acesso à informação e a possibilidade de interação e produção do conhecimento de forma flexível, a qualquer tempo independentemente dos limites impostos pelo espaço geográfico. 
Atualmente, constata-se que, do ponto de vista acadêmico, o volume de produção de artigos, ensaios, livros, dissertações e teses sobre a EaD  tem crescido significativamente. O interesse  social pode ser percebido pelo volume de discussões na mídia em geral.
     A partir da década de 1990, com a intensificação da informatização no Brasil a educação a distância no ensino superior expandiu-se significativamente, mediante algumas iniciativas e programas: uso intensivo de teleconferências em programas de capacitação a distancia,Programa Um Salto para o Futuro destinado à formação continuada de professores do ensino fundamental, início da oferta de cursos superiores a distancia ou por mídia impressa, Programa TV Escola SEED/ MEC, Fundação da Associação Brasileira a Distância (ABED) entre outros.
    Apesar de já existir de fato, a educação a distancia só surge oficialmente como modalidade de ensino reconhecida a partir da Lei de Diretrizes e bases 9394/96, seu marco legal. A referida lei no seu artigo 80 assegura:  “O poder público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada”
       O artigo 80 estabeleceu essa modalidade de educação com abertura e regime especial prevendo: Credenciamento das instituições pela União; Normas para produção, controle e avaliação de programas e autorização para implementá-los a cargo dos respectivos sistemas de ensino; Tratamento diferenciado, incluído custos reduzidos no rádio e na televisão, concessão de canais com finalidade exclusivamente educativa e reservas de tempo mínimo pelos concessionários de canais comerciais.
       É inegável os avanços da EaD nos últimos anos no Brasil. Entretanto é preciso também destacar algumas limitações como nem todo tem acesso à Cibercultura, ou seja, à “cultura contemporânea, associada às tecnologias digitais”. Há ainda o entrave financeiro, em que a falta de recursos impossibilita a aquisição das tecnologias digitais, como computador e internet. Existe também a falta de domínio das TIC
      Por parte do aluno tem que haver um esforço em disciplinar-se em acompanhar as aulas, executar as atividades e interagir com o tutor e colegas. Sem contar que deve estar sempre abertos a novos aprendizados e experiências.
       Especial atenção deve ser dada a formação do docente em EaD. Eles precisa ter vontade,sentir a significancia e disponibilidade em aprender sobre as novas tecnologias adquirindo assim  as competências e habilidades sobre educação digital. Porém segundo SCHLEMMER
O essencial é reconfigurar ou de criar novas práticas pedagógicas que possam suportar e potencializar a ação e a interação dos sujeitos. Independentemente da modalidade educacional a ser desenvolvida, essa prática precisa contemplar a cooperação, a bidirecionalidade e a multiplicidade de conexões e inter-relações entre informações, sujeitos e tecnologia.
       Por fim, o mundo tornou-se muito mais complexo e a educação estar inserida nessa nova organização. É preciso incentivar a pratica dos  Sete Saberes Necessários á Educação do Futuro de Edgar Morin, tornando o erro uma nova oportunidade de aprendizagem;admitindo  a existência de saberes temporários e transitórios; ensinando para a compreensão e ter sempre em vista a educação para a formação cidadão respeitando sua  dimensão ética .
Referencias  Bibliográficas
BELLONI, Maria L. Educação a distância. 5. ed. Campinas:autores associados,2008.
BRASIL, LEI 9394, de 20/12/96 IN Diário Oficial de 23/12/96
MORIN, Edgar. Os setes saberes necessários à educação do futuro. Cortes .Editora. 2ª edição. São Paulo. 2000.
PRETI, Oreste (org.) Educação a distancia: inícios e indícios de um percurso. Cuiabá;  EDUFMT, 1996.
SCHLEMMER, Eliane: Políticas e práticas na formação de professores a distância: por uma   emancipação digital cidadã -Programa de Pós-Graduação em Educação - UNISINOS

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